quinta-feira, 16 de julho de 2020

ATUALIDADE: ACIDENTE OFÍDICO: O DIA SEGUINTE







Jararaca


No Brasil ocorrem atualmente cerca de 20 mil acidentes com serpentes peçonhentas por ano (12/1993). Em suas incursões à beira d’água o pescador deve estar atento e bem informado, já que a prevenção sempre é o melhor remédio. Mas o que fazer após a picada?
Fotos Instituto Butantan – São Paulo - SP  
                                                                    Fotos  Kenji Honda/Arquivo Aruanã.


Jararaca 
A imensa maioria dos acidentes ofídicos ocorre com as serpentes do gênero Bothrops, que é composto por mais de 30 variedades de cobras: as populares jararacas. Conhecida também como caiçaca, jararacuçu, cotiara, cruzeira, urutu, jararaca-do-rabo-branco, surucucurana, etc., a jararaca é responsável por 88% dos acidentes registrados em todo o país, contra 9% causados por cascavéis e apenas 3% causados por surucucus e corais verdadeiras. Vamos nos ater aqui principalmente às jararacas, já que sua distribuição geográfica abrange todo o território nacional e seus habitats e locais de incidência (são encontradas principalmente em beira de rios, dentro d’água, penduradas em árvores ou enterradas) muitas vezes recebem a visita dos pescadores amadores. As serpentes do gênero Brothrops apresentam cores e desenhos diferentes pelo corpo, indo do verde ao negro. Seu tamanho pode variar, quando adultas. Entre 40 cm e 2 m de comprimento. É útil ter conhecimento de algumas regras simples que permitem fazer a diferenciação entre cobras peçonhentas (venenosas) e não peçonhentas. Se a cobra apresenta anéis coloridos em qualquer combinação de cores, é possível que se trate de uma coral verdadeira, que deve ser considerada como venenosa. 

Paciente após quatro dias de internação no Hospital Vital Brasil, tendo buscado socorro após  decorridas mais de 8 horas do momento do acidente. A picada provavelmente foi dada por uma jararaca adulta. Nota-se alguns pontos necrosados no pé, porém o edema local já começa a regredir. Segundo a Drª Hui, este é um caso de moderada gravidade. 
À exceção da coral, as serpentes peçonhentas invariavelmente apresentam fosseta loreal, ou seja, um pequeno buraco entre o olho e a narina em cada lado da cabeça, que serve para que percebam as modificações de temperatura à sua frente, permitindo que possam se movimentar e caçar à noite, por exemplo. Se a cobra tiver um chocalho na ponta do rabo, sem dúvida é uma cascavel. Se o rabo tem escamas arrepiadas e ponta de osso, trata-se de uma surucucu-pico-de-jaca. Já uma cauda sem detalhes importantes é característica das jararacas. Segundo a DrªFan Hui Wen, médica infectologista que ocupa a chefia interina do Hospital Vital Brazil no Instituto Butantan, em São Paulo (SP), na primeira meia hora após a picada da jararaca, já é visível o edema (inchaço) que começa a se formar no local atingido. “O inchaço aumenta progressivamente e podem ocorrer dores. Devido à ação do veneno, na região da picada aparecem manchas arroxeadas, caracterizando as equimoses, que são sangramentos subcutâneos com aspecto semelhante ao de hematomas comuns”. 

O local arroxeado na parte superior da perna mostra uma região onde houve absorção do veneno, caracterizando uma equimose. Foram administradas 8 ampolas de soro neste caso. Caso mais leves podem ser resolvidos com a aplicação de 4 ampolas, mas os caos mais graves necessitam de até 12 ampolas de soro. 
O envenenamento local instala-se nas primeiras horas após o acidente, podendo evoluir para o envenenamento sistêmico, ou seja: a circulação sanguínea absorve o veneno inoculado e passam a ocorrer eventuais sangramentos em outras regiões do corpo. “É comum a ocorrência de hemorragias na gengiva. Além disso, se a pessoa acidentada tiver tomado alguma injeção recentemente, o local onde a agulha penetrou poderá começar a sangrar. Sangramentos mais graves, como por exemplo, uma hemorragia no aparelho digestivo são mais difíceis de ocorrer. É mais comum o sangramento de cor viva na urina. Se o acidentado sofrer algum tipo de traumatismo na cabeça após a picada, isto pode ocasionar um sangramento intracraniano, que pode levar ao “óbito”, observa a Drª Hui. Em geral, não há perda de consciência, mas a circulação sanguínea altera-se muito em relação às sua condições normais. O veneno inoculado pode acarretar distúrbios de coagulação: o sangue fica incoagulável, dificultando o estancamento de hemorragias. Óbitos ocorrem tardiamente, ainda assim somente nos casos em que há complicações posteriores. 


A não observação da imobilidade que é recomendável ao acidentado e a demora na busca de socorro favorecem um maior e mais rápido alastramento do veneno no organismo. O ideal é começar o tratamento dentro das primeiras três horas após a picada, sendo que, passadas seis horas, a peçonha já terá se fixado aos órgãos-alvo, desencadeando assim o processo de lesão tecidual. A Drª Hui explica: Aqui ocorre uma espécie de ‘efeito dominó’, pois mesmo tendo sido neutralizado o veneno através da aplicação do soro, o processo já foi desencadeado. Não adianta erguer a primeira pedrinha do dominó: o impulso já foi dado e as outras fatalmente cairão. É necessário então ir observando as reações do organismo para determinar a extensão do problema. Dependendo da região atingida, podem ocorrer necroses, que exigem alguns dias até que possamos precisar seguramente quais são as áreas realmente lesadas. Ao contrário da panturrilha, os dedos, por exemplo, têm uma característica muito menor de se expandir e suportar o inchaço, o que acaba favorecendo o rápido aparecimento e evolução das gangrenas, devido ao sofrimento dos vasos sanguíneos e morte dos tecidos do local.” 





.Caso socorrido 3 horas após a picada. A área atingida já manifesta o edema e o arroxeamento característicos. 
Outras complicações frequentes ocorrem em casos onde foi grande a quantidade de veneno inoculada, além dos casos em que os procedimentos de socorro foram inadequados, piorando as condições iniciais da vítima. Segundo esclareceu a médica, “a serpente pica e solta rapidamente. Se ela conseguir dar um golpe bem dado, com as duas presas, se for uma cobra adulta ou se não se tiver alimentado recentemente (após uma refeição, a produção e a quantidade de veneno, diminuem), a quantidade da substância venenosa inoculada será maior, e quanto mais veneno, menor é o tempo que deve ser observado para o socorro a fim de evitar as complicações. Procedimentos como garrotes (torniquetes) não devem ser adotados, já que, se por um lado podem teoricamente impedir eu o veneno inoculado se espalhe através da circulação para todo o organismo, por outro lado favorecem uma maior concentração da peçonha na área atingida, o que pode compromete-la seriamente, acelerando o agravamento das lesões locais e em casos raros ocasionando uma eventual perda do membro atingido através da necessidade de amputação. 

Caso socorrido no terceiro dia após a picada. O paciente havia feito garrote. A região atingida mostra-se tomada por necrose irreversível. Foi necessária a amputação. 
A sucção no local da picada é totalmente ineficiente, pois a inoculação do veneno através das presas da serpente assemelha-se à aplicação de uma injeção subcutânea ou intramuscular, ou seja, não adianta “chupar” a região atingida, já que não há como fazer a substância introduzida sair do organismo. O mesmo pode ser dito a respeito de cortes e perfurações com a finalidade de provocar sangramentos que teoricamente fariam com que o veneno “saísse” junto com o sangue. É sempre necessário tomar o soro, que é aplicado por via endovenosa na quantidade suficiente para cada caso, a critério médico.
                                                        SEQUELAS
Há pessoas que se queixam de dores de cabeça, enjôos e outros males que atribuem a picadas de cobras ocorridas há anos. Outros afirmam que o veneno das serpentes acarreta impotência sexual permanente. Na verdade, nada disso tem base científica, cabendo mais na definição de “lendas”. Realmente pode haver sequelas de acidentes ofídicos, sendo a mais triste a amputação de membros (felizmente pouco frequentes hoje em dia) ou a incapacitação para o trabalho devido à perda total ou parcial dos movimentos da região afetada. 

Caso socorrido entre 6 e 12 horas após a picada. Já há a manifestação do envenenamento sistêmico. O edema já atinge uma área maior, generalizando-se.
A Drª Hui explica que é mais comum ocorrer o “déficit de função”: Se o individuo teve uma necrose que atingiu músculo ou tendões, perderá imobilidade. Aqui no Hospital Vital Brazil, as necroses ocorrem em apenas 10% dos casos. É a ação do veneno que acarreta tais danos, e não a perfuração pelas presas das cobras. “Podem ocorrer também as chamadas infecções secundárias, pois no ato da picada, a serpente, além de inocular o veneno, também introduz no organismo da vítima os microorganismos que tem na boca, o que agrava o quadro geral”. Não há lógica em se afirmar que existem danos causados pela permanência de veneno no organismo após a cura do paciente, já que o veneno em si e neutralizado rápida e totalmente após a administração do soro, no início do tratamento. No entanto, é preciso observar o período de tempo necessário para que o edema local desapareça. O paciente deve se manter em repouso durante o prazo que for recomendado pelo médico.
                                             PREVENÇÃO DE ACIDENTES
Mais de dois terços dos acidentes ocorrem na região do joelho para baixo. O uso de botas reduz em 80% esse risco. 

O efeito do garrote: a região onde foi presa a circulação concentrou maior quantidade de veneno, tendo sido visivelmente mais prejudicada.
Além disso, é necessário redobrar os cuidados ao manusear gravetos ou montes de folhas, por exemplo. Opte por realizar tais tarefas com o auxilio de uma varinha ou galho. As serpentes são animais de sangue frio e mantém-se sempre à temperatura ambiente procurando evitar a perda de umidade. Assim elas se recolhem durante as horas mais quentes do dia e saem no início da manhã e fim de tarde em busca de alimentos ou apenas para passear. Evite essas oportunidades de encontrar-se com elas quando vocês estiverem compartilhando o mesmo habitat. Em acampamentos, é recomendável fechar os carros e não deixar restos de comida e lixo exposto. Além da agressão ao meio ambiente, esse procedimento atrairá a vista de roedores, que são a base da alimentação das cobrar venenosas. Elas naturalmente irão atrás deles. Nem sempre é aconselhável levar soro antiofídico em suas incursões na natureza, devido às dificuldades de armazenagem (deve ser mantido sob refrigeração constante) e aplicação – só um profissional de saúde saberá determinar o tipo e a quantidade de soro apropriado a cada caso. 

Caso socorrido aproximadamente 24 horas após a picada. Além do edema característico, nota-se a presença de regiões necrosadas no dedo anular. Em todos os casos fotografados, os acidentes foram ocasionados pelo contato com jararacas  
Não se esqueça de que existem serpentes não peçonhentas que também picam, e se não há inoculação de veneno, o soro é desaconselhado, já que contém anticorpos de cavalos, ou seja, proteínas estranhas ao organismo humano, que pode manifestar alguma reação do tipo anafilático. Cada soro é específico para um tipo de veneno. Se você não sabe determinar qual é o adequado, é conveniente não arriscar. Se uma serpente lhe picar, o melhor é movimentar-se o menos possível para retardar o alastramento do veneno na circulação e solicitar que alguém busque auxílio rapidamente. Antes de sair para pescar ou acampar em locais onde exista a possibilidade de um encontro com serpentes, informe-se sobre o posto de atendimento médico mais próximo de onde você ficará. O tempo, como você já sabe, é o principal fator determinante do sucesso na recuperação de um acidente ofídico.

Drª Fan Hui Wen
       EM DEFESA DA SERPENTE PEÇONHENTA


Como todos os animais na Natureza, as serpentes desempenham seu papel no ecossistema que integram, alimentando-se de roedores como ratos, camundongos e preás. O uso indiscriminado do espaço e do solo pelo homem com plantações, criações e moradias contribui para aumentar o número de roedores, que também são atraídos pelo lixo das regiões metropolitanas. Os desequilíbrios biológicos causados por inundações, desmatamentos e queimadas faz com que as cobras, como outros animais nessas circunstâncias, sejam obrigadas a mudar seus hábitos. Em tais ocasiões, elas passam a buscar abrigo e proteção em casas, celeiros, etc. Não se pode mais matar impunemente uma serpente só pelo fato de ser considerada repulsiva ou só porque está viva. A principal finalidade do veneno que ela possui é garantir sua própria defesa. Uma cobra não ataca um ser humano somente porque ele invade seu habitat. Ela se limita a reagir às situações onde se sente em perigo. É interessante notar que as serpentes venenosas são menos agressivas que as não venenosas. Como animais silvestres que são, as serpentes têm direito à mesma proteção legal que o restante de nossa fauna nativa. Pelo menos no papel. Se nada na natureza sofresse a interferência negativa do homem, todas as espécies viveriam em harmonia e perfeito equilíbrio. A realidade ainda não é assim porque o homem segue relutando em entender a si mesmo como apenas mais uma manifestação da própria natureza.
Reportagem: Paula Lopes da Silva


Revista Aruanã Ed:37 Publicada em 12/1993

sexta-feira, 10 de julho de 2020

UM (PEQUENO) PEIXE MUITO ESPECIAL







Em nossa ictio-fauna existem espécies que se descobertas, são verdadeiras jóias raras. Tal é sua característica e modo de vida. Na maioria das vezes, um peixe, por ser bastante comum, não recebe a importância que realmente tem. É o caso do amboré. Vamos conhece-lo.

Balaio de 
O amborê está classificado cientificamente na família dos Gobiidae, e seu nome é Gobioides broussonnetii. Sua coloração principal é de tons amarronzados com pequenas manchas claras branco azuladas. Sua principal característica é que ele possui na parte inferior do corpo, nadadeiras ventrais, transformadas em discos adesivos. Suas escamas são quase subcutâneas. Sua presença está registrada em todo o litoral brasileiro e até o México. Seu habitat preferido são as tocas de pedra e grotas, podendo ser tanto em água salgada, como doce e salobra. Pesca-se o amborê usando-se um anzol pequeno, com uma pequena vara ou linha de mão, um pequeno chumbo e como isca, pedaços de camarão descascados. 

O pequeno amborê 
A melhor maneira de pesca-lo é em se estando em locais de pedra, descer a linha por entre as grotas e ficar observando, já que se consegue ver quando o peixe abocanha a isca. Um ou dois metros de “linhada” serão mais do que suficientes para essa “pescaria”. O tamanho que o amborê atinge é aproximadamente 15 centímetros. Mas porque dizemos que o amborê é um peixe muito especial e porque é que algum pescador vai perder tempo para fisgar esses pequenos peixes, que não servem nem para comer? É exatamente nesse ponto que queríamos chegar, e agora sim, o pescador amador vai entender. Preparem-se então, pois o pequeno amborê é uma das melhores iscas para robalos, pescadas, meros, badejos, garoupas, caranhas, e mais uma enorme quantidade de peixes esportivos. 

Amborês fisgados com baratinha do mar 
Não há uma só espécie das espécies citadas que não tenham no amborê, a melhor de todas as iscas. Em algumas regiões, na pescaria de robalos e pescadas, ele chega a ser melhor que o próprio camarão vivo. Sua serventia como isca pode ser comparada à do lambari nas águas doces. E inúmeras vantagens o amborê tem como isca. Por exemplo, ele não morrerá de maneira alguma, mesmo que fique quase sem água. Em um pequeno recipiente, poderemos colocar vários desses peixinhos, que eles aguentarão horas e...dias. Sua fixação no anzol é muito fácil de ser feita, sendo no entanto melhor isca-lo pela boca ou dorso. Quando iscado, poderá o pescador dar longos lances com seu equipamento, que o amborê não cairá do anzol, permanecendo vivo enquanto nele estiver. 

A ventosa 
Aqui está portanto, uma dica muito importante e sem exageros podemos afirmar que o amborê é uma das melhores iscas para se pescar as espécies citadas nesta matéria. Mas as nuances do amborê não acabam aqui, pois além de ser uma ótima isca, tem algumas curiosidades interessantes. Ele tem também a incrível capacidade de vir para a terra (nos manguezais) para com muita facilidade de locomoção, caçar pequenos insetos e crustáceos. Uma outra particularidade interessante do amborê é que se ele ficar, por qualquer motivo, preso a alguma lagoa ou pequena quantidade de água, se esta começar a secar, simplesmente ele vai para as margens e consegue percorrer grandes distâncias por terra, até achar achar uma lagoa para sua moradia. 

Pescando amborés
 Nesse percurso, o amborê tem um jeito todo especial de “andar”, que consiste em movimentos iguais ao de uma cobra, só que bem mais rápido, parando vez por outra para descansar. Um outro fato interessante que pudemos observar nessas caminhadas, é que sua pele fica seca, parecendo uma folha e talvez isso lhe sirva de disfarce para algum predador que o queira fazer de alimento. Quando se vê um amboré nessas condições, é só tentar chegar perto, que ele fica completamente imóvel, recomeçando a caminhada só quando sente que há novamente segurança. Se não se ver um amborê “andando”, quando ele pára, fica quase impossível de se identificar o peixinho, pois sua coloração é igual ao local onde está. No Brasil, dependendo da região onde ele está, pode ser conhecido por vários nomes, e entre esses destacamos: amaré, aimoré, amaré-guaçu, chimoré, moréia-do mangue, amoré, amaborê, amoréia, babosa, cundunda, emboré, amiuíra, maria-da- toca, muçurango e tajacida.

Revista Aruanã Ed:26 Publicada em 02/1991

sábado, 4 de julho de 2020

EQUIPAMENTO - AS VARAS DE PESCA MACIÇAS







Foto Kenji Honda

Com a moderna tecnologia e com materiais novos, as varas de pesca foram ficando cada vez mais sofisticadas. Isso ocorreu Há apenas alguns anos atrás. Antes, tudo era diferente. Confira.


Uso com equipamento pesado
Ao se falar de varas de pesca nos dias atuais, vamos encontrar nomes como conolon, borom, grafite, titânio, ou então siglas como IM6 ou IM7, além das tradicionais medidas em libras, que o pescador brasileiro menos informado pensa ser a resistência da vara, mas nada mais é do que a indicação da capacidade em libras das linhas a serem usadas, dependendo do modelo da vara. E tem coisa pior, já que as medidas dessas varas vêm marcadas em pés, medida essa totalmente estranha aos nossos usos e costumes. Aliás, bem recentemente, essa confusão em libras, polegadas e pés, atrapalhou até o satélite da toda e poderosa NASA, a Agência Espacial Americana, pois além dessas medidas seus técnicos usaram também o sistema em metros, e a confusão se estabeleceu, levando o satélite para o “espaço” literalmente. Há cerca de 20 ou 30 anos atrás, as nossas varas de pesca eram feitas da famosa “fibra de vidro”, que tinham como diferença de hoje, apenas o peso, já que punhos, passadores, cabos e ponteiras, até hoje, seguem os mesmos modelos. Na onda dessas varas modernas, foram muitos os pescadores que embarcaram, tendo sempre como preocupação o peso das mesmas.  

A linha de fabricação das varas Yamato - Todas maciças
Nós até que concordamos, em parte, no uso dessas varas mais leves, e abrimos essa exceção para aqueles pescadores que gostam de pescar com iscas artificiais e, portanto, dão centenas de arremessos durante uma pescaria, sempre com a vara de pesca nas mãos. Realmente nesse caso, o peso da vara influi e muito, não na pescaria, mas sim no cansaço do pescador. Mas existem casos em que as varas maciças ainda são insubstituíveis em diversos tipos de pescaria. Querem exemplos? Pois bem, vamos a eles. As chamadas pescarias barra pesadas são um bom exemplo disso. Além do que, lógico, as varas maciças quebram muito menos do que as atuais varas modernas. Digamos que o pescador esteja em um rio qualquer, fazendo uma pescaria barra pesada, tipo jaú, pintado, filhote, piraíba ou pirarara, e usando uma linha bitola 0.90 milímetros. Para os “professores” que vão estranhar essa bitola de linha, podemos afirmar que em alguns locais onde haja muito enrosco essa bitola será necessária. Na hora em que se fisgar um grande exemplar dos peixes citados e não se possa dar linha (enrosco), fica a pergunta: qual será das duas varas que irá agüentar esse “tranco”? 

Pirarara
A resposta é simples e objetiva: a vara maciça.  Temos ainda outros exemplos, e estes se referem às pescarias na chamada zona da água azul. Nesses locais, onde dificilmente teremos enroscos, a vara maciça ainda tem a sua real utilidade, principalmente quando o peixe estiver prestes a ser embarcado, pois por várias vezes vimos varas ocas quebrarem na luta final com o peixe. Neste caso do peixe, podemos estar nos referindo aos grandes marlins, atuns (alguns com mais de 100 quilos), cações e tubarões e outros. Existem ainda pescadores de água azul que fazem questão de montarem suas próprias varas maciças, usando então aqueles cabos especiais, passadores e ponteiras com roldanas. Como se vê, a velha e boa vara maciça ainda é muito usada nos dias de hoje. E temos ainda alguns detalhes a mais para falar de varas maciças. Quanto a resistência das mesmas, acho que não precisamos mais nos preocupar com isso, já que, nessa regra, não existe exceções. Mas temos outros pontos a esclarecer. Se por um acaso qualquer pisarmos na nossa vara de pesca, e se a mesma não for maciça... adeus, ou então vamos leva-la para o conserto e a antiga “ação” da vara original já era, pois com a emenda nunca mais será a mesma. 



Vara maciça no corrico
Outra pergunta: quantas vezes, em viagem de carro ou avião, na bagagem ou em uma batida de porta de carro, a ponteira de nossas varas ocas quebraram? Pois é pescador, vamos começar a dar valor às “velhas varas maciças”. Um outro exemplo são as varas de duas sessões, ou seja, em duas partes. Se a vara for oca, é inevitável que o primeiro lugar onde ela pode quebrar será sempre na emenda, e aí lá vai ela para o conserto, ficando com os mesmos problemas citados anteriormente. Na vara maciça, a emenda será o último lugar a sofrer qualquer dano, já que terá encaixe de metal, fortalecendo-a ainda mais. Para encerrar, não vamos nem falar nas batidas das varas ocas contra pedras, bordas de barcos, ou ainda e pior, batida de vara contra vara, que costuma acontecer quando dois pescadores estão pescando muito perto, em um barco por exemplo. Finalmente, e agora o pescador irá gostar: o preço. No mercado de hoje, as varas ocas são todas importadas, e seus preços são calculados em dólar. As varas maciças são fabricadas no Brasil e, dependendo do modelo, chegam a custar de 80 a 90% mais barato do que as importadas. Boa pescaria.

 Revista Aruanã Ed:72 Publicada em 02/2000


sábado, 27 de junho de 2020

ESPECIAL - O ESPORTIVO APAPÁ.











Para um pescador amador, a esportividade de um peixe é traduzida na luta que este peixe proporciona. O que dizer então de um peixe que fisga muito bem em iscas artificiais de superfície e, quando ferrado, além de brigar muito, dá saltos espetaculares tentando livrar-se do anzol? Apresentamos então o apapá. Conheça-o.


Cores do apapá
O nome científico do apapá é Pellona castelneana, e pertence à família dos Clupeidae. Até aí, nada demais, a não ser que essa mesma família pertence também a sardinha, além da savelha e outros mais. Os cientistas inclusive afirmam que o apapá é um peixe originalmente de água salgada que teria se aclimatado em água doce, mas essa tese não tem confirmação oficial. Inclusive em alguns trabalhos chamam-no de “sardinha de água doce”. Outros trabalhos científicos informam que a carne do apapá não é apreciada, pois é de sabor adocicado e tem muitas espinhas. Desta afirmação nós discordamos totalmente, já que em recente pescaria, e tendo essa afirmação em contrário, fizemos questão de provar a carne do apapá, o que nos dá condições de afirmar que a mesma é de excelente sabor, sendo este muito parecido com o da carne de anchova. 

Apapá fisgado com isca de superfície
Além disso, o numero de espinhas encontrado é igual ao de qualquer outro peixe de seu porte e padrão. Mas é sobre a pescaria do apapá que queremos falar. Há muito nos intrigava uma reportagem de José Veríssimo, onde ele textualmente diz: na pesca do apapá, o índio usa anzóis cobertos com plumas encarnadas, portanto do tipo das “moscas” dos pescadores europeus. A tal método chamam de “pindá-sirica”. Com base nessa informação, de imediato pensamos em pescar o apapá com iscas artificiais. Sem conhecer o peixe pessoalmente, restou-nos usar várias iscas para chegar à conclusão de qual seria a melhor para este tipo de pesca. Descobrimos então que as melhores iscas para a pesca do apapá são as iscas de superfície, sem barbelas e que façam evoluções sobre a superfície da água. 

Bonito e bom de briga
Os melhores pesqueiros para o apapá são os remansos de rios, mais precisamente na entrada de baías ou então nas próprias margens do rio onde haja remansos. Uma outra dica muito boa é que quando esses peixes estão caçando, é muito fácil detectar sua presença, pois os pequenos peixes, objetos da caça, fogem desesperadamente, aos bandos e sobre as águas, dos ataques fulminantes do apapá. Estando em um local desses, é só jogar sua isca de superfície e, trabalhando-a com perfeição, esperar o ataque do apapá. A melhor maneira de pesca-los é embarcado e com o auxilio de remos ou motor elétrico. Colocamos o barco a uma distância que pode variar entre 10 e 20 metros para os arremessos, que devem ser precisos, para que a isca artificial fique bem próxima aos obstáculos, aguapés ou margens. 

Entradas de baías: pesqueiros de apapás (rio Guaporé)
O ataque do apapá à isca é calmo e nem sempre muito preciso. É costume seu vir por baixo da isca e ficar fazendo evoluções, o que demonstra sua presença, pois a água em redor da isca de superfície fica revolta. O segredo nessa hora é não parar de trabalhar a isca, pois ele está nas imediações e com certeza voltará a atacar, podendo tal ato acontecer, às vezes, até bem perto do barco. Em se fisgando o apapá, será necessário se dar uma ou duas “confirmadas”, traduzidas em forte puxão na vara de pesca, para que os anzóis da isca possam fisgar direito. Fisgando um apapá, desfrute então de uma boa briga, alternada com saltos espetaculares do peixe para fora da água e importante: esses saltos são sempre para os lados, diferente dos peixes que saltam para cima, como é o caso dos tucunarés, dourados, etc. 

O ataque à isca artificial
Na briga com o apapá é muito comum perder-se o peixe nesses saltos, daí a dica para as duas “confirmadas”. Um bom material para a pesca desse peixe pode ser classificado na categoria leve, bastando que a vara de pesca seja de ponta firme, do tipo grafite. Uma boa linha e que garante o peixe é a de bitola 0.35mm. Não é necessário usar-se lideres de linhas mais fortes ou de aço, bastando apenas que a isca esteja equipada com um snap (alfinete). Para terminar, algumas curiosidades sobre o apapá. Na região do Guaporé, chamam-no erroneamente de “peixe-novo” ou “peixe-banana”. Sua presença é garantida em praticamente todos os rios da Bacia Amazônica, com destaque especial para o rio Guaporé e rio Araguaia. Conforme a região do Brasil, ele também é conhecido pelos seguintes nomes: arenga, arenque, bode, sardinha branca, sardinhão e cagona. Este ultimo, muito usado, deve-se ao fato de que, quando fisgado e retirado da água, o apapá expele fezes pelo ânus.

Iscas de superfície para o apapá: 1- Mirrolure; 2 – Jumping Mullet; 3 – Crazy Shad;  4 -Baby Zara; 5 – Bill Norman. 
NOTA DA REDAÇÃO: Aqui nesta postagem, cabe bem o ditado “vivendo e aprendendo”. Digo isto porque, as dicas aqui citadas, sem duvida, foram as mais exatas e melhores para a pesca do apapá no rio Guaporé. Quando fizemos uma matéria para a Aruanã, no rio Machado, onde as águas, devido a muitas corredeiras e tombos, eram muito rápidas, a isca que melhor se adaptou para essas condições, foram as de barbelas meia água, e conforme a posição do pescador em referência a linha da água, nem era preciso trabalha-la, pois a correnteza fazia isso para nós. Vez por outra, para não ficar sem ação, recolhíamos ou dávamos um pouco de linha. E a propósito, foram os maiores apapás que vimos, já que beiravam 6 quilos.

Revista Aruanã Ed:21 Publicada em 04/1991

sábado, 20 de junho de 2020

TEMPO: O VENTO NA PESCARIA.










O vento, dependendo de sua intensidade, atrapalha e muito a pescaria, seja no mar ou água doce. Vamos abordar este assunto e tentar esclarecer essa questão.


Em alto mar, as ondas prejudicam a navegação
Nós até que poderíamos fazer um assunto técnico, onde apareceriam expressões como Coriolis (ação defletora), Buys-Ballot (leis da tempestade, anti-ciclônico, ciclônico, pré-frontal, frente fria, altoestratos, cumulonimbus, etc. Isso, com certeza, não vai ser preciso ainda mais porque já publicamos (Revista Aruanã edições 3 e 8) um artigo completo sobre esse assunto, assinado pelo Prof. Rubens Junqueira Villela. No blog publicado em junho de 2015. Vamos procurar então, falar sobre os ventos, suas causas e efeitos na pescaria, e tentar apontar algumas soluções para minimizar esses problemas. 
                                                     PESCARIAS NO MAR
As pescarias feitas em praias e costões costumam ser muito prejudicadas pela ação dos ventos, que normalmente sopram no nordeste para sudeste, ou seja, em nosso litoral, da esquerda para a direita. São ventos que têm intensidade de velocidade entre 5 a 10 quilômetros por hora. No caso de aproximação de frentes frias, esses ventos podem mudar a direção e ganham maior intensidade. Atrapalham o pescador, principalmente pela formação de “barriga” na linha e pelo constante balançar da ponta da vara de pesca. Diminuir a barriga da linha pode ser conseguido usando-se linhas de monofilamento, de bitolas bem finas, como por exemplo 0,20 a 0,30 milímetros. 

Um dia de mar sem ventos 
Outra providência a ser tomada é tentar fazer com que a ponta da vara de pesca fique mais baixa, portanto sem a menor ação do vento sobre ela. Em alto mar, o problema de ventos é que os mesmos foram ondas, às vezes enormes, prejudicando a navegação e não a pescaria. Em rios e canais do litoral, os ventos atrapalham nos arremessos, no apoitar o barco e, dependendo da largura dos rios e canais, as ondas que se formam atrapalham a navegação. Outro problema de ventos em canais são as folhas que se soltam das árvores do mangue e ficam boiando na superfície das águas. No último caso, quem pesca com iscas artificiais será prejudicado. A solução para pescar em rios e canais quando houver vento é procurar locais de pesca menos expostos ao vento, que normalmente localizam-se em curvas acentuadas dos rios, ficando protegidos pelas árvores ou morros.
                                                  REPRESAS E RIOS DE ÁGUA DOCE
Nas represas, os maiores problemas com os ventos referem-se à navegação, já que se formam ondas de um metro ou mais, e isso é um problema sério no que se toca a segurança da embarcação, normalmente barcos pequenos. Contra essa ação não há solução, a não ser que o pescador levante bem cedo e tente chegar no seu pesqueiro preferido o mais rápido possível, já que os ventos na represa aumentam mais com a ação do sol e calor. 

Formação de nuvens 
Na pescaria, se o vento ficar mais intenso, a solução será pescar nas grotas e entradas, muito comuns nas represas. O vento atrapalha mais a pescaria quando se quer usar iscas artificiais de superfície. Com iscas de meia água ou iscas vivas, a interferência do vento será menor. Nos rios, devemos evitar os chamados “estirões”, que são aquelas retas onde o vento “encana”, provocando ondas. Curvas e locais protegidos do vento serão mais produtivos.
                                                     VENTOS FORTES
Normalmente, com um pouco de observação podemos prever quando irá ventar forte. Se houver no horizonte a formação de nuvens (cumulonimbos) pesadas, lembrando a forma de uma bigorna, com cores escuras e ameaçadoras, ou ainda relâmpagos e trovões, é um sinal de que, se o vento estiver na direção do pescador, vai ventar forte, e o que é pior, irá chover pesado. Nesse caso é bom procurar abrigo, já que tais ventos e chuvas, muito comuns na primavera e verão, costumam ser passageiras. Se não houver abrigo por perto, coloque uma boa capa de chuva, saia de perto do barco e fique e fique em local descampado, sentado ou deitado até a chuva passar. Em hipótese alguma vá se abrigar perto de árvores, pois tais locais costumam atrair raios. Se for na praia e costão, saia de perto das varas e tente se abrigar nas pedras do costão ou nas praias, ficando na faixa de areia entre o mar e o fim da praia, também sentado ou deitado na areia. Boa pescaria.

Revista Aruanã Ed:66 Publicada em 12/1998

quinta-feira, 11 de junho de 2020

DICA - BASS: FICOU MAIS FÁCIL







Apesar de ser um peixe predador, a pesca do black bass tem suas manhas e segredos. Com as mais recentes novidades em equipamentos, sua pesca ficou muito mais fácil. Confira e comprove.


Bass na minhoca artificial 
A história do black bass no Brasil já data mais de 75 anos (NR: atualizando o tempo – 97 anos), visto que os primeiros peixes vindos dos Estados Unidos e do Canadá aqui chegaram por volta do ano de 1922. Só para esclarecer, e a bem da verdade, essa espécie foi introduzida em nosso país porque as autoridades de meio ambiente começavam a se preocupar pela proliferação das piranhas em nossos reservatórios hidrelétricos. Sendo o black bass um predador, acharam eles que facilmente combateria as piranhas. Foi no estado de São Paulo a primeira introdução, e mais tarde em outros estados tais como Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Como se vê, a opção foi feita pelos estados de clima mais frios, pois erradamente se pensou que, sendo o Bass originalmente de regiões mais frias, sua aclimatação seria melhor nessas áreas. Esse pensamento foi outro erro, pois o Bass já estava, nos Estados Unidos, aclimatado em estados como a Flórida e a Califórnia, de clima muito parecido com o nosso. Aliás, nesses estados americanos mais quentes o bass atinge tamanho maiores, chegando mesmo a atingir recordes por volta de 9 ou 10 quilos, enquanto nos estados mais frios ele pouco passa de 4 quilos, aliás, a exemplo do Brasil, onde os maiores exemplares já fisgados estão bem abaixo dos 4 quilos. 

Bom local para pesca 
Um outro ponto a esclarecer é que algumas pessoas aqui no Brasil afirmam que o bass da Flórida é de espécie diferente, chamando-o inclusive de Floridanus. Em recente viagem aos Estados Unidos, conversando com alguns biólogos experientes, afirmaram eles categoricamente ser a mesma espécie de peixe, ou seja, Micropterus salmoides. Isso inclusive faz lembrar o caso do nosso tucunaré, que na Amazônia chega a 12 quilos e em outras regiões do Brasil, como o estado de São Paulo, dificilmente ultrapassa os 5 quilos. Mas vamos deixar essa discussão de lado e nos ater ao assunto principal desta matéria, em cujo título dizemos que ficou mais fácil pescar o bass. Pois bem, o bass pega em iscas vivas ou artificiais, sendo que estas últimas são as mais esportivas. Nas artificiais, vamos encontrar alguns tipos tais como plugs de meia água, fundo e superfície, além de colheres, spiners, jigs e minhocas. Em nossa opinião e pela nossa experiência, podemos afirmar sem qualquer sombra de dúvida serem as minhocas as mais produtivas. Só que existem alguns problemas quanto ao uso das minhocas, pois as mesmas são difíceis de serem utilizadas, tal é a sensibilidade que o pescador terá que ter para sentir, no fundo, o que é um ataque desse peixe a essa isca. 

“As novidades” 
Quando não se tem prática, qualquer batida, por exemplo, de paus ou pedras submersas, parecerá ao pescador menos experiente uma batida do peixe. E às vezes a batida do peixe, traduzida em dois leves toques, parecerá ser enrosco e não se dará a fisgada, perdendo-se então o peixe. Vamos tentar explicar: normalmente, pesca-se com a minhoca no fundo e, dando-se pequenos toques, fazemos com que a isca venha dando pequenos saltos no fundo da represa. Ao passar por galhadas submersas, o chumbo ou a isca baterá nos galhos dessas árvores, dando o falso sinal de peixe. É interessante observar um pescador menos experiente, pois, após violenta fisgada (com a minhoca é assim, violenta) ele fica com aquela cara de quem perdeu o peixe; no fundo, ele não teve a certeza de que era peixe, e isso irá causar um certo descontentamento, e quando for peixe, ele não fisgará, com medo do ridículo. Tudo isso é bobagem, e sempre dizemos que o seguinte: em caso de dúvida, fisgue, porque se for peixe ele não vai dar tempo para indecisão. Se for galho, com certeza não se fisgará nada. Pois bem, pescar com minhocas era assim. Atente o leitor para o tempo do verbo...era assim.

O novo equipamento para o bass 
Nessa viagem aos Estados Unidos, em Spirit Lake no estado de Yowa, mais precisamente numa visita à OTG, fabricante da marca Berkley, entre outras, ficamos conhecendo um novo produto específico para a pesca do bass, afirmando os fabricantes ser a maior novidade para a pesca dessa espécie de peixe. A princípio tivemos dúvidas da eficiência desses novos produtos, pois nos parecia ser impossível. Mas trouxemos para o Brasil o conjunto completo para fazer alguns testes aqui em nossas represas. Esse conjunto foi composto principalmente por três novidades: a vara Pulse, a linha Fireline e as minhocas Power Bait, sendo que os anzóis e os chumbos foram os modelos tradicionais. Após três pescarias, podemos afirmar que realmente ficou muito mais fácil sentir o bass nesse tipo de pescaria. Nessa vara, tanto para carretilha como para molinete, a diferença é que na sua empunhadura os dedos da mão ficam diretamente na haste, dando ao pescador maior sensibilidade. A linha é de uma fibra exclusiva da Berkley, parecendo de não ser uma linha de multifilamento com elasticidade zero, o que da maior sensibilidade em qualquer toque, e o melhor de tudo é que a Fireline não é abrasiva. E finalmente, a minhoca: segundo o fabricante, o bass, com a minhoca comum, fica com a isca na boca por volta de um ou dois segundos; com a Power bait, o bass chega a ficar até 18 segundos com essa minhoca na boca. 

“A linha”
Essa diferença se dá, ainda segundo o fabricante, porque essa nova minhoca vem impregnada com uma essência altamente agradável ao black bass, que é injetada na minhoca na hora da fabricação. Pois bem. Mais uma vez a bem da verdade, podemos afirmar que ficou muito mais fácil sentir o Bass com esse material. Realmente, nessas minhocas a “pegada” do Bass é diferente, já que, em vez das duas batidinhas, o peixe chega a bater cinco ou seis vezes e até a carregar a minhoca, ficando muito mais fácil senti-lo. Por outro lado, a prova maior de que esse conjunto é diferente, foi que levamos nessas pescarias-testes um pescador que nunca havia fisgado bass em minhoca artificial, e ao fim da primeira pescaria, esse pescador, novato nessa modalidade, conseguiu fisgar dois black bass, coisa que há mais e dois anos estava tentando, já quase tendo desistido de pescar com minhocas artificiais. Como informação final, os produtos Berkley aqui citados são importados legalmente pela Mustad do Brasil, com sede em Porto Alegre, telefone (051)3743122 e fax (051) 374-2991 (esses números devem ser confirmados). Na rede de lojas especializadas em artigos de pesca já se encontram esses produtos. Caso não os encontre em sua loja preferida, ligue para a Mustad. Vivendo e aprendendo...
  

Bass na power bait 
NOTA DA REDAÇÃO: Por ocasião da publicação desta matéria, achamos melhor – para não parecer ostentação – omitirmos detalhes que agora achamos conveniente contar. Eu estava em companhia Alexandre Mussi Fortes, diretor da Mustad no Brasil. Quando nos falaram sobre a nova minhoca, devemos ter feito cara de que não estávamos convencidos. Daí a nos mostrar foi fácil então como veremos. A Berkley tem em suas instalações diversos black bass em criação própria. Esses bass ficam em compartimentos separados, mas, com acesso a um tanque maior, onde são realizados testes, com novas iscas. Na parte de cima dessa secção, há uma “raia” de uns 15 metros por dois de largura, usada para arremessos de precisão. Em um canto dessa sala que é ampla, há uma escada em caracol que nos leva a um subsolo, com uma enorme parede de acrílico, onde em uma tela de aproximadamente cinco por dez metros de comprimento, com todas as características de um aquário completo, com iluminação própria somente em seu interior. 

Linha da fabricação das Power Bait na Berkley 
Foram soltos nesse aquário, cerca de 10 black bass. Sentamos em poltronas e por intermédio de um telefone, foi dado ao um funcionário que desse lances – na parte de cima – com as minhocas tradicionais e trabalhasse as iscas normalmente como se fosse em uma pescaria. Com a caída da minhoca na água, vários bass abocanharam a minhoca e passado dois ou três segundos a cuspiam. Isso foi feito com vários peixes e sempre com o mesmo resultado. Dada a ordem ao funcionário que mudasse a isca para a Power Bait. Pois bem, quando a isca chegava ao fundo, imediatamente um bass abocanhou essa isca e ficou com ela na boca, cerca de 12 segundos, cronometrados. E pior, quando ele a cuspia, imediatamente outro a pegava e a repetição de se dava exatamente igual. Rindo, cumprimentei ao Tom Bedel. Presidente da OTG, pelo sucesso dessa nova minhoca. Em nossa bagagem, - na volta ao Brasil - duas varas Pulse, alguns carretéis de linha Fireline, e dezenas de minhocas de várias cores, formatos e tamanho. Essa foi a razão de publicarmos este artigo, com o título de Bass: ficou mais fácil.
Revista Aruanã Ed: 64 Publicada em 08/1998